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28 de novembro de 2012

Afinal, quem é infantil?

By: Alister Mcgrath - O delírio de Dawkins 

Qualquer pessoa familiarizada com polêmicas anti-religiosas sabe que uma das recorrentes críticas ateístas afirma que a fé é infantil — uma ilusão infantil que deveria desaparecer quando a humanidade atingisse a maturidade. Ao longo de sua carreira, Dawkins desenvolveu uma crítica semelhante, com base numa analogia ateísta há muito existente. Em suas primeiras obras, enfatizou que crer em Deus é como crer no coelhinho da Páscoa ou em Papai Noel — crenças infantis que são abandonadas tão logo nos tornamos capazes de pensar com base nas evidências. E o mesmo se dá com Deus.
É óbvio, não é? Conforme Dawkins afirmou em seu Thought for the Day[Pensamento do dia] na Rádio BBC, em 2003, a humanidade "pode deixar a fase do bebê-chorão e finalmente atingir a maioridade". Tal "explicação infantil" pertence a uma era remota e supersticiosa da história, já superada, da humanidade.[1]
   Como muitas das analogias de Dawkins, essa foi construída com um objetivo específico em mente: a ridicularização da religião. A analogia, no entanto, é obviamente falha. Quantas pessoas você conhece que passaram a acreditar em Papai Noel na idade adulta? Ou quem, na velhice, achou sua fé no consolador Coelhinho da Páscoa? Eu acreditei em Papai Noel até quase cinco anos (mas, ciente dos benefícios que isso trazia, deixei meus pais pensarem que levava isso a sério até bem mais tarde).
   Eu não acreditava em Deus até ir à universidade. Aqueles que usam o argumento da infantilidade devem explicar por que tantas pessoas descobrem Deus mais tarde na vida, e certamente não acreditam que isso represente algum tipo de regressão, perversão ou degeneração. Um bom exemplo recente é o de Anthony Flew (nascido em 1923), o notável filósofo ateu que passou a crer em Deus aos 81 anos de idade.

[1] Uma explicação muito mais sofisticada sobre as origens das crenças religiosas, e que guarda alguma semelhança com o desprezo oferecido por Dawkins, encontra-se nos textos de Sigmund Freud. Dawkins não demonstra nenhuma consciência disso e não faz nenhuma referência a Freud em Deus, um delírio.

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